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ENTREVISTA – CÉSAR OBEID

 

Concedida para o blog “Marca-página”.

 

- Como você se definiria?

Sempre busco caminhos alternativos (nem sempre os mais óbvios) para o aperfeiçoamento pessoal e profissional.

- Você sempre pensava em ser escritor?

Quando eu era criança, nunca pensei em escrever. No meu tempo de escola, não éramos estimulados para a leitura prazerosa. Lembro que a biblioteca era um lugar para ficarmos de castigo. Como alguém pode ter prazer em uma situação dessas? Impossível! A mais remota lembrança que eu tenho de leitura por prazer foi quando eu tinha doze anos: eu comprava em bancas de jornal, pequenos livros de histórias de velho oeste. Desde então, não parei mais de ler. O fato de gostar de estudar também me ajudou muito. Estudei dramaturgia, interpretação, literatura de cordel, mímica e muito mais! Publiquei o meu primeiro livro “Minhas Rimas de Cordel” (ed. Moderna) quando eu tinha 30 anos. Nada foi inesperado, tudo foi fruto de muito trabalho.   

 - Você se sente totalmente realizado com essa escolha ou tem alguma outra paixão que gostaria de ter seguido, de ter se dedicado mais?

Adoro o meu trabalho (que não é só ficar escrevendo o dia todo). Com a literatura, é possível conciliar todas as minhas paixões: viajar, cozinhar, pensar, brincar etc.

- Por que você escreve?

Porque sou indignado com o que estamos fazendo com as nossas crianças. Estamos trocando a cultura pelo consumo, assim não dá! A literatura infantojuvenil é uma forma de resistência nesse mundo que valoriza o consumo descabido e desrespeita o universo infantil.

- Por qual razão acha que tantas pessoas o leem?

Escrevo para as crianças, não para os educadores. Sinto que as crianças gostam do que eu escrevo porque eu me coloco no lugar delas. Quando escrevo, eu choro, dou risada, me emociono...  Assim, cada leitor, também sente o mesmo no momento da leitura. 

- De onde surgiu a vontade de se especializar para o público infantojuvenil? Já pensou em escrever ficção para adultos?

Eu me identifico com o universo infantil, sou como as crianças e os jovens, acho que ainda podemos viver em um mundo melhor, em todos os sentidos.
Nunca pensei em escrever ficção para adultos.

- Que lições os leitores mais velhos podem aproveitar de seus livros?

Eu não infantilizo as histórias para as crianças e jovens. Penso que elas tocam leitores de qualquer idade, inclusive os adultos.

- O que fazer para a criança de hoje ter interesse pela leitura?

Hoje em dia há uma série de projetos e programas que estimulam a leitura entre os pequenos; hábito que não havia na minha época, por exemplo. Isso é muito salutar. Quando eu estava no colégio, era comum o jovem dizer que não gostava de ler. Hoje, a maioria diz que a leitura faz parte do seu dia a dia. Tenho constatado isso nas minhas andanças por todo o Brasil. O maior problema da literatura é a falta de estímulo por parte dos pais, não por parte da escola. Não me lembro de não ter visto uma escola que não incentive o hábito de ler. Para ler com uma criança, os pais devem desligar a televisão, desconectar a internet e sentar-se ao lado dela para embarcarem, juntos, em uma aventura literária. Os pais precisam se concentrar, não só as crianças. Em uma casa barulhenta, cheia de influências de dois ou três aparelhos de tevê ligados, ninguém consegue se concentrar para a leitura.  

- Você acredita que a era digital vem auxiliando na construção de crianças e adolescentes com maior visão de mundo e alimentando hábitos de escrita e leitura ou, ao contrário, o meio digital as tem afastado da literatura?

São coisas distintas: a era digital apresenta, de modo geral, uma visão de mundo muito consumista e com valores que não pertencem à infância, como a erotização precoce, estímulo a alimentos não saudáveis etc. Por outro lado, é um mundo onde todos são obrigados a ler e escrever com mais frequência, isso é positivo.

-  Você já elegeu algum dos seus livros como preferido?

Sempre é o mais recente.

- Você lia muito na infância?

Como eu disse, a minha lembrança de leitura prazerosa (espontânea, por vontade própria...) começa aos doze anos.  

- Já surgiu alguma ideia para um livro a partir de correspondências dos leitores ou então inspirada em algum autor que você goste bastante?

De correspondências de leitores, não. Mas é claro que eu me inspiro na obra dos autores que eu admiro.

- Como você cria seus personagens?

O mais importante é o enredo. Eu os crio para poder contar a história que eu quero. Depois disso definido, eu coloco características de pessoas que conheço, às vezes até as minhas manias aparecem como trejeitos dos personagens.

- Existe algum livro que você gostaria de ter escrito?

“Pequeno pode tudo”, do Pedro Bandeira. É uma linda história. 

- Atualmente, em quais projetos está envolvido?

São muitos; há projetos de livros juvenis, um diário, projetos de limeriques, mais cordéis...

- Rapidinhas:

Livro favorito: São muitos, mas eu citaria Fábulas Italianas, de Ítalo Calvino.

Escritor favorito: Pode ser três? Pedro Bandeira, Eva Furnari e Ricardo Azevedo.

Ídolo: Chico Xavier

Música: Na dança das folhas, de Marie Gabriella.

Vida: Que bom que a tenho!

Morte: Que bom que ela existe, mas a quero bem longe por enquanto. 

Amor: Pela vida calma.

Paixão: Pela minha filha.

Literatura: Que bom que eu sou escritor! 

Sonho: Não sofro com o futuro. Faço as coisas que quero agora mesmo, mas  quero viajar bastante.

Inesquecível: Quando recebi o meu primeiro livro publicado. Chorei feito uma criança.